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A onda da mudança/ The Wave of Change

Esta é uma frase frequente e sempre que algo se dissolve na minha vida, eu me pego fazendo esta pergunta.

Bem, mudança nunca foi a minha praia. Eu tendo a criar uma ligação com qualquer coisa que eu goste e admire, e antes que eu perceba, eu me percebo lutando pela sua presença contínua. Poderia ser um lugar, uma pessoa, um momento, uma experiência, ou uma emoção. Seja o que for, eu tenho que protegê-la da transformação.

No entando, não demorou muito até eu perceber que me proteger da mudança era tão inútil quanto lutar com um porco esperando não ficar imunda. Na verdade, tudo que eu desejo manter parece ir embora mais facilmente que qualquer outra coisa. Em um determinado momento, eu quase acreditei que a vida tinha algo contra mim e que seus olhos estavam fechados para o resto do mundo. Mas, a vida sempre esteve comigo – não contra mim. Para tudo que eu perco, a vida me ajuda a ver como as coisas naturalmente acontecem – e que qualquer coisa que eu queira manter sempre vai escorregar para longe de mim até eu entender porquê isso acontece e como reagir a isso. É quase como um professor ao repetir a mesma lição até que os alunos finalmente a entendam. Isso dito, qual a lição aqui? ‘Por que as coisas tem sempre que mudar?’


‘Anicca,’ a palavra Pali para impermanência, é a base do Budismo. Todos os ensinamentos de Buddha giram em torno do fato que nada permanece o mesmo – tudo se transforma. Aprendendo isto, pude entender que a mudança é a lei natural da vida. O que quer que surja, eventualmente se dissolve; e o que quer que se dissolva, eventualmente dá origem a outra coisa.

Esta é uma verdade dura de absorver. Eu não sou a única que passou a maior parte da vida protegendo o que está presente no momento. Nós podemos querer proteger e nos apegar a um hábito ruim, uma emoção boa, uma pessoa tóxica, um amor, uma substância, um trabalho, ou a um lugar. Em outras palavras, protegemos nossa zona de conforto e expectativas.

Não obstante, se pusermos nossos medos e esperanças de lado, entendemos que não podemos impedir a mudança de acontecer. O que entendemos como uma ‘perda’ é somente um ciclo natural acontecendo. Contudo, é muito comum ter medo da perda.


Mudança significa incerteza e isso é exatamente o que nos assusta. Não queremos que aquilo que conhecemos tão bem se dissipe. Logo, vemos a onda da mudança vindo em nossa direção, e tentamos escapar dela – mas não é possível. A única solução é aprender como surfar a onda – mas como podemos fazer isto?


Surfar uma onda significa ir com ela – e não contra. Consequentemente, quando as coisas mudam, precisamos seguir com elas. Em vez de focar em manter o que está se dissipando, precisamos focar no que nascerá desta dissolução.

Veja, no cerne da ausência de algo, há sempre a presença de alguma outra coisa. Nós só precisamos abrir nossas mentes e olhar além do horizonte dos nossos medos.

É verdade que a mudança é uma lei natural, mas também é um ciclo. A morte sempre leva ao nascimento, e o significado da felicidade verdadeira é esperar o nascimento, porém estar preparado para a morte.


Nada é fixo, e isto é belo. Esta lei natural é nossa chance de não nos apegarmos às experiências, mas de aproveitarmos sua disponibilidade agora. Eu ainda crio ligação com o que admiro, mas não brigo mais pela sua presença contínua. A ausência tornou-se tão excitante quanto a presença. Eu sei que para tudo que eu perco, uma lição, uma percepção, ou uma confirmação vai chegar a mim.

Surfar a onda da mudança começa com a aceitação da inevitabilidade da mudança. Vai acontecer com todo mundo, o tempo todo. Não podemos aceitar um lado da moeda e ignorar o outro.


Nós geralmente estamos felizes com os começos, e prova disto é que sempre celebramos aniversários, casamentos, nascimentos, graduações, e por aí vai. Entretanto, raramente antecipamos seus términos. Por isso a surpresa e choque que os términos provocam são sempre intensas.

Não estou dizendo que devemos celebrar a perda do nosso emprego ou a morte de um ente querido, mas realmente precisamos aprender a aceitá-la e nos adaptar a ela tanto quanto nós aceitamos um novo começo.

Antecipar mudanças nos faz apreciar o que temos neste momento, e isto é algo que raramente fazemos. Se algo está mudando agora na sua vida – fique feliz. Alguma outra coisa está indo na sua direção.


O céu não é o limite. A mente é!

This is a frequent line and whenever something dissolves in my life, I find myself asking this question.

Well, change hasn’t always been my cup of tea. I tend to create a bond with whatever I enjoy and admire, and before I know it, I find myself fighting for its perpetual presence. It could be a place, a person, a moment, an experience, or an emotion. Whatever it is, I try to shield it from transforming.

However, it wasn’t long before I realized that protecting myself from change is as futile as wrestling a pig and expecting not to get filthy. In fact, anything that I crave keeping seems to slip away more easily than anything else. At one point, I almost believed that life had something against me and her eyes were shut to the rest of the world.

But, life has always been with me—not against me. For everything that I lose, life helps me see how things naturally operate—and that anything I want to keep will always slip away from me until I understand whyit does and how to react to it.

It’s pretty much like a teacher repeating the same lesson until the students finally acquire it. That said, what’s the lesson here?“Why do things always have to change?”


“Anicca,” the Pali word for impermanence, is the core of Buddhism. The entire teachings of the Buddha revolve around the fact that nothing stays the same—everything transforms. Learning this, it’s made me understand that change is the natural law of life. Whatever rises eventually dissolves, and whatever dissolves eventually gives birth to something else.

This is one tough truth to absorb. I’m not the only one who has spent most of her life protecting what’s currently present. We might want to protect and hold on to a bad habit, a good emotion, a toxic person, a lover, a substance, a job, or a place. In other words, we protect our comfort zone and expectations.

Nonetheless, if we put our fears and hopes aside, we understand that we can’t stop change from happening. What we regard as a “loss” is only a natural cycle coming into being. It’s quite common, however, to fear loss.


Change means uncertainty and that’s precisely why we fear it. We don’t want what we know so well to dissipate.

And so, when we see the wave of change heading toward us, we try to escape it—but to no avail. The only solution is to learn how to ride the wave—but how can we do this?


To ride a wave means to go along with it—not against it. Consequently, when things change, we need to go along with them. Instead of focusing on keeping what’s dissipating, we need to focus on what will be born from its dissolution.

You see, in the crux of something’s absence, there is always the presence of something else. We only need to open our minds and look beyond the horizon of our fears.

It is true that change is a natural law, but it’s also a cycle. Death always leads to birth, and the meaning of true happiness is to expect the birth, yet be prepared for the death.


Nothing is fixed, and this is beautiful. This natural law is our chance to not cling to experiences, but to only enjoy their present availability. I still create a bond with what I admire, but I don’t fight for its continuous presence anymore. Its absence has become as exciting as its presence. I know that for everything I lose, a lesson, a realization, or a confirmation will come to me.

Riding the wave of change starts with accepting the inevitability of change. It will happen to everyone, all the time. We can’t accept one side of the coin and ignore the other.


We’re usually happy with beginnings, and the proof is that we always celebrate birthdays, weddings, birth of newborns, graduations, and so on. However, rarely do we anticipate their endings. That’s why the surprise and shock that endings ensue are always intense.

I’m not saying we should celebrate the loss of our job or the death of a loved one, but we do need to learn to accept it and adapt to it as much we’d accept a new beginning.

Anticipating change makes us appreciate what we have in this present moment, and this is something we rarely do.

If something is currently changing in your life—be happy. Something else is making its way to you.

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​© 2018 Semeia Vida by Tatiana Lopes.