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Algumas pessoas praticam yoga por anos, mas nunca pisaram em um tapetinho de Yoga.


As marcas de uma prática significativa de Yoga.


Algumas pessoas vem seguindo o caminho do Yoga mesmo antes de eu nascer, no entanto nunca pisaram em um tapetinho de yoga.


A prática de yoga deles não envolve uma porção de posturas, mas simplesmente um mantra (uma oração) e a habilidade de sentar em meditação por 2 horas diárias.

É quase o contrário da visão moderna Ocidental de yoga, que é quase inteiramente centrado em posturas dinâmicas.

Hoje, yoga é praticado mais para saúde geral ou para curar doenças específicas do que para iluminação, ou auto-realização. Por isso é uma indústria de bilhões de dólares, e vem ganhando popularidade como prática de bem estar. Várias hibridizações e ramificações também foram desenvolvidas para fazê-lo mais excitante e atraente como rotina fitness.

E isso é de fato útil para a sociedade, de forma geral, já que os benefícios do yoga são diversos – mas onde fica o aspecto espiritual do Yoga?

Yoga para fitness e yoga para meditação – ambos tem um lugar no mundo hoje, mas isso pode criar confusão pois quem busca o espiritual pode encontrar-se se exercitando ao ponto da exaustão e os entusiastas do fitness podem acabar entoando o Om em uma pseudo-espiritualidade.


Em todo meu tempo como praticante de yoga, professora e ‘buscadora espiritual’, aqui estão minhas observações sobre esse conflito:


Um dos objetivos do Yoga é o relaxamento físico e mental.

Hatha yoga é a base de todas as práticas físicas de asanas/posturas do mundo moderno, e seu objetivo primeiro é deixar o corpo estável e leve.

O Objetivo não é tornar-se super flexível, pois isso nos deixaria fracos e instáveis. Também não é deixar-nos fortes, com músculos volumosos, pois isso nos tornaria densos, pesados, o que obstrui a fluidez de energia.

A intenção do yoga está em encontrar equilíbrio entre ambos, que, quando alcançado, nos ajuda a relaxar mente e corpo. E relaxamento completo é o pré-requisito fundamental para ‘progredir’ no caminho espiritual. Porque se estivermos mentalmente perturbados (fora de equilíbrio) ou fracos e desconfortáveis fisicamente, não conseguimos focar ou concentrarmo-nos em nada.

Há muitas maneiras de induzir tal relaxamento profundo, mas devido a natureza do nosso estilo de vida moderno, movimentos atentos como os asanas/posturas, quando coordenados com a respiração, são ferramentas poderosas para melhorar a consciência da conexão entre mente-corpo.

Elas nos energizam sem criar tensão ou rigidez e nos relaxam sem induzir ao embotamento ou letargia. Enquanto evoluímos, podemos até penetrar profundamente em nosso subconsciente através de técnicas meditativas descritas pelo sábio Patanjali.

Desta maneira, a marca de uma prática de Yoga significativa é a que, ao longo do tempo, nos faz sentir mais fortes, relaxados, rejuvenescidos e calmos. Se nossos métodos estão nos deixando exaustos, sem fôlego, agitados, competitivos ou repetidamente lesionados, é necessária a introspecção e reavaliação.



@semeiavida

Asanas não são necessários, mas são benéficos.

De fato nós podemos meditar e ser espiritualizados sem praticar asanas/posturas.

Mas a menos que tenhamos uma afinidade natural para a meditação, precisaríamos nos esforçar um bocado só para sermos capazes de sentarmos quietos, calmos. A prática de yoga também é útil para temperamentos sensíveis, agitados ou inquietos. Pode até ajudar a acalmar e ordenar a mente durante conflitos emocionais, períodos de luto, ou fases estressantes da vida.

Em essência, ter uma prática consistente de posturas e pranayama auxiliará para que se tenha uma prática de meditação consistente, não importa o que a vida jogue em nossa direção.

No entanto, não devemos nos sentir desencorajados ou intimidados por posturas complicadas. Não precisamos fazer coisas complicadas com nossos corpos para experimentar os benefícios do yoga.

Para auxiliar a meditação, uma prática consciente de yoga com posturas/asanas simples mesmo e algumas técnicas respiratórias são geralmente suficientes. Com prática consistente, nossa capacidade e mobilidade vai naturalmente continuar a melhorar, e podemos acabar por progredir para posturas mais avançadas. Se isso acontecer, ótimo, e se não, tudo bem. No caso dos asanas, a jornada é o prêmio.


Entretanto, esteja atento ao ego.

Posturas avançadas provocam uma emoção única, alcançar uma postura difícil é de fato louvável. Tem alguns benefícios espirituais também – ganhamos força mental e confiança, superamos medos, e aprendemos práticas constantes e repetidas - fazer a mesma coisa, traz resultados.

Todas as lições são extremamente importantes para quem medita. Ler centenas de vezes sobre meditação não fará qualquer diferença, mas experimentando-a na prática, mesmo que uma vez, como num tapetinho, cria uma impressão forte em nosso subconsciente.

Apesar de perdermos rapidamente todo esse benefício assim que seu ego reassume – a excitação de ter feito posturas também fortalece o sentimento do ‘Eu’ e aumenta a identificação com o corpo físico (vaidade). E o que quer que aprendemos no tapete, levamos conosco em nossas vidas cotidianas.

Minha professora diria: ‘Faça uma invertida sobre a cabeça diariamente sem posições compensatórias e em três meses sua família te colocará para fora da casa’– nos tornaria esgoístas e difíceis de lidar.

Isso foi, principalmente, porque Swami Vivekananda criticou os Hatha yogis – ele percebeu que a glória das buscas físicas facilmente os distraía do caminho espiritual.

Logo, se temos inclinação espiritual, devemos estar atentos ao ego e devemos lembrar que iluminação não está condicionada a nossa habilidade de ficar sobre a cabeça. Mais notável, sábios tinham simplesmente a qualidade de sentar quietos por longos períodos.


Não confunda o papel dos professores modernos de yoga e gurus espirituais.

Um professor de yoga contemporâneo (do nosso tempo) não é necessariamente um guru espiritual – isso é uma presunção e um estereótipo em que muitos caem, algo que devemos deixar de lado firmemente.

Há influenciadores populares do yoga que mobilizam milhões dos seus seguidores sob a aparência dos valores yoguicos para fins lucrativos. A comunidade do yoga também é abundante em abuso sexual e gurus auto-proclamados tirando vantagem de estudantes inocentes – não precisamos de mais destes incidentes. Devemos respeitar todos os nossos professores, mas devemos ser cautelosos quanto a de quem estamos recebendo orientações espirituais.

Professores de yoga modernos são especialistas em algumas ou todas as técnicas de consciência de mente-corpo. Eles teriam investido tempo, dinheiro e muito esforço para ser treinado em uma habilidade específica. Alguns podem ter uma inclinação espiritual, outros não. Alguns podem seguir valores yoguicos tradicionais, e outros não.

Assim como todos os professores de economia em um curso de administração terão diferentes qualificações, também cada professor de yoga traz uma perspectiva única para uma prática. Professores diferentes vão atender pessoas diferentes assim como eles capacitam estudantes em diferentes níveis a progredir mais.

Mas ética, moral e um critério de comportamentos respeitáveis que se aplicam ao resto do mundo também se aplicam aos professores de yoga. A sua inclinação não é uma desculpa para qualquer exceção civil. Porque até onde a jornada espiritual é entendida, nós professores e nós estudantes somos todos contemporâneos. E como professores de yoga responsáveis, também devemos evitar guiar nossos estudantes por um caminho no qual não estamos qualificados.

Podemos, claro, compartilhar nossa jornada, mas devemos lembrar que um professor só pode levar um estudante até onde ele (ou ela) já esteve.


Desenvolva bons hábitos.

A prática de yoga não se limita a um tapete ou a uma almofada de meditação.

Se realmente queremos avançar em yoga ou espiritualidade, precisaremos colocar muito do trabalho além da aula e fora do tapete – é aqui que a prática avançada de yoga acontece.

É na nossa interação com pessoas, em nossas atitudes, como tratamos nossos colegas de trabalho, o quão honestos somos quando ninguém está olhando, sobre o que pensamos o dia todo, o que comemos, e por aí vai.

Mas tais professores que nos podem orientar nesta jornada não são muitos. Então, até que encontremos tal professor, precisaremos nos apoiar na orientação interna ou estudos espirituais. Livros espirituais adequados, de preferência em sua língua original, ou escritos de sábios de reputação, devem ser lidos repetidamente ao longo das nossas vidas.


Mantenha boas companhias.

As histórias de pessoas querendo renunciar as suas famílias e vidas para viver em um Ashram, ou tornar-se ‘discípulos’ de um guru, e tomando decisões pesarosas não são incomuns no ‘mundo espiritual’.

As grandes habilidades oratórias e personalidades charmosas de sociopatas espirituais pode às vezes nos cegar. Ou, se estamos em uma fase vulnerável da vida, podemos acabar muito apegados a uma filosofia ou pessoa que pode não ser saudável para nós. Nossos amigos e família são nossas armas de proteção mais poderosas contra essas decisões. Esteja sempre aberto as pessoas que estiveram perto de você e que te deram apoio durante sua vida.

A verdade é, enquanto alguns casos de renúncia ou apego possam ser genuínos, a maioria não é. É uma tendência humana normal querer abandonar tudo e a ideia de um ashram de yoga é, de fato, romântica, mas um equívoco.

Com frequência, a espiritualidade ou pessoas espirituais se tornam uma rota de fuga dos ataques das nossas responsabilidades diárias e um jeito de lidar com nossas fraquezas inerentes. Ou precisamos estar conscientes para identificar tais traços em nós, ou precisamos ter um forte sistema de apoio de pessoas que nos querem bem que podem evitar que nós viremos nosso próprio pior inimigo.

E lembre sempre que o caminho espiritual não exige que abandonemos nossas vidas mundanas – um livro santo inteiro, o Bhagavad Gita, foi escrito sobre isso.


Conclusão:

“Aquele que aprende a voar um dia precisa primeiro aprender a ficar de pé e andar e correr e escalar e dançar; não dá para sair voando.” ~ Nietzsche


Hatha yoga nos dá aquelas práticas iniciais que ajudam a nos prepararmos para buscas meditativas mais elevadas. Asanas alteram nossa consciência através da manipulação do corpo, nos ajudam a relaxar e desestressar, e melhoram nosso relacionamento com a respiração através de pranayama.

E com esta base no lugar, podemos começar nossa jornada espiritual com pés estáveis – não importa o caminho espiritual escolhido.

Posturas de yoga são relevantes porque nos ajudam a desestressar, a focar e a concentrar melhor em qualquer símbolo ou Deus de nossa escolha. Ao longo do caminho, haverá armadilhas, e por isso estudos espirituais, assim como as boas companhias, são essenciais para garantir que não nos desviemos do caminho.


Beijinhos de Luz e afagos no coração! Um excelente início de 'ano'!


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