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Bikram, Sul da Califórnia, se preparando para um predador/Bikram, So-Cal, and Priming for a Predator

Aviso: Falarei sobre o documentário da Netflix aqui – Bikram. Não há explícito neste texto, mas devido a natureza muito séria deste comentário, eu decidi deixar gifs, e fotos de fora.


Eu amo o Sul da Califórnia – o sol, o mar, o otimismo, a criatividade!

E… não há segredos de que há um ponto cego sombrio na cultura. Eu argumentaria que é este lado sombrio do estado do sol que cria um terreno fértil para criminosos como Bikram. Quando o documentário da Netflix foi lançado algumas semanas atrás eu pensei, ‘É, acho que eu deveria me programar para ver’ (com quase o mesmo entusiasmo que tenho para fazer um exame médico). Mas, há alguns dias, eu me organizei para assisti-lo.


É o tipo de documentário que é bom em excitar uma raiva incrédula – mas não tão bom ao focar nas causas raízes do problema. Fiquei querendo saber mais sobre o que está debaixo do iceberg – o que há em Los Angeles que é crucial para esse fascínio por cultos e explorações criminosas?

Vamos começar com as roupas.


Se espera-se que se use um biquíni para fazer yoga em uma sala de espelho, você acabou de entrar no microambiente perfeito para nutrir auto- repugnância. A cultura do corpo de Los Angeles há muito tempo é alvo de crítica – mas isto não significa que tenha mudado muito. Bikram simplesmente a transferiu para o estúdio de yoga – perfeito – uma sala cheia de gente pronta para se auto-flagelar. A solução dele para as dores das pessoas era pura e simples – sue e passe fome.


‘A melhor comida?’ ele lança de sua plataforma.

‘Nenhuma comida!’ as pessoas respondem.


Como Amy Schumer falou sobre a dieta de Hollywood, ‘Uma vitamina (shake) de café da manhã, e aí tipo, no almoço você escreve sobre a vitamina… Este é o segredo de Hollywood, não ponha comida nesta boca estúpida’.

Então, aqui está uma sala cheia de mulheres de cabeça tonta procurando salvação para a gordura, que estão ali para tolerar abusos porque isso oferece a resposta para todos os seus problemas. A CIA não conseguiu inventar um esquema de prisioneiros melhor.


Ao longo dos anos muitas pessoas me disseram que realmente gostavam de praticar Bikram e quando eu pergunto o porquê, a resposta quase inevitavelmente inclui: ‘Porque você pode perder peso muito rápido’. Sim, você pode.


Muitos aspirantes à atores em Los Angeles. Quanto mais magro você é, mais fácil de pegar o papel. E mesmo que o papel que você procura possa não estar na tela de prata, Hollywood vendeu a equação sucesso = magreza por décadas, espalhando-a como uma nuvem tóxica e envenenando mentes femininas pelo mundo todo.

Alguns dos comentários sobre o documentário centraram-se na questão do porquê tantas pessoas racionais voluntariamente se inscreveram neste circo? Mas o próprio documentário responde essa questão.


A mulher de cabelo ruivo longo conclui – ‘Este…yoga…é…mágico. Eu nunca vou parar de fazê-lo, e nunca vou parar de promovê-lo’. O cara que nos conta que pesava 136 kg lamenta-se em lágrimas – ‘Eu não seria a pessoa que sou hoje sem ele’. E nós somos guiados a concluir, sim, tamanha vergonha, o cara era um criminoso, mas wow, que baita prática!


Quente, extenuante, a punição do corpo tem sido TÃO normalizada em nossa cultura que nem questionamos mais a sua veracidade. Bikram simplesmente ofereceu o cálice sagrado de tudo o que passamos a desejar, após termos sofrido lavagem cerebral.

A auto-aversão promovida culturalmente, abastecida pela indústria de perda de peso e objetivos inatingíveis/insustentáveis preparam o palco refrigerado para a chegada de Bikram, mas há mais um ingrediente essencial para catalizar sua alavancada tóxica para a fama e poder:


Orientalismo.


Um termo cunhado pelo escritor Palestino-Americano, Edward Said, para explicar as tendências dos ocidentais, saturados de uma visão de mundo colonialista/imperialista, para projetar suas fantasias e anseios sobre o oriente.

O guru vai nos salvar – mesmo que ele seja um lunático raivoso. Para a maioria, americanos poderiam ligar menos para qualquer coisa que ocorre além das nossas fronteiras. Mas também gostamos de alimentar fantasias sobre o exótico, o transformador, o mágico e o salvador. E sabemos que homens sábios vêm do Oriente.

Esta versão particular de comportamento predatório não decola em solo Indiano porque há regras na cultura Indiana para interações com o sexo oposto. Mas Bikram se salvou tendo quebrado todas elas. (que por sinal, sem mencionar que a India tem o próprio jardim de variada misoginia, o caso de estupro e morte por uma gangue da semana passada, por exemplo. Mas aqui, eu estou falando do espaço de yoga, que, para muitas mulheres, tem sido como um retiro daquela realidade).

Para mim, yoga tem sido uma graça que salva, um refúgio para a auto-aversão e ódio ao corpo, e uma oportunidade para aprender a começar a aprender a me amar. Me dói o coração e minha cabeça ver isso tão flagrantemente e irreparavelmente abusado.


Qual a resposta?

Eu vou continuar dizendo – nós precisamos de mais professoras mulheres em posições de poder e autoridade (e aqui eu não estou sugerindo que mulheres estão automaticamente isentas de serem abusivas, é apenas uma parte da solução) – e os homens que estão nestas posições no momento precisam tornar-se vozes aliadas/apoiadoras e simplesmente lidar com o risco de perder um pouco de seu poder/dinheiro/prestígio ou o que quer que seja.


Nós precisamos ensinar sobre limites, melhores práticas relacionadas a traumas, empatia e ética. (Não é suficiente ter boas intenções, você precisa ser intencionalmente ético). Precisamos de padrões de treinamentos mais elevados, precisamos ensinar o pensamento crítico e construir a habilidade de auto-referência como parte do nosso currículo. Precisamos educar o público sobre o que o yoga pode fazer, o que pode ser, como um instrumento humano holístico: mente- corpo-espírito. Não somente uma prática para perda de peso, ou mesmo para alongar os posteriores de coxa.


Eu quero oferecer aos meus alunos o potencial expansivo do amor-próprio, da auto-compaixão, auto-aceitação, de comunidade, e ajudá-los a se abrir para a possibilidade de ajudar outros a encontrarem o mesmo refúgio. Eu quero oferecer simplicidade e lentidão. Quero oferecer uma chance de regularmente tocar um lugar de paz e esperança internos. Só isso.

Isso é pedir muito?

By Kaoverii (traduzido por mim, Tatiana Lopes)


This 'No pain, no gain' is anything you want, but definitely, it is not Yoga. / Essa coisa de 'Sem dor, não tem ganho' é qualquer coisa que você quiser, mas definitivamente, não é Yoga.

Trigger warning: I will be discussing the Netflix Bikram documentary here. There’s nothing explicit in this blog, but because of the serious nature of this commentary, I’ve decided to leave .gifs and pictures out of it.


I love Southern California – the sun, the sea, the optimism, the creativity!

And. . .it’s no secret that there’s a dark underbelly to the culture. I would argue that it’s this shadow side of the sunshine state that creates a fertile breeding ground for perpetrators like Bikram. When the Netflix documentary came out a few weeks ago I thought, “Yeah, I guess I should schedule that in,” (with about as much enthusiasm as I have for a pap smear). But, a few days ago, I managed to get through it.


It’s the kind of documentary that’s good at rousing incredulous rage – but not good at addressing the root causes of the problem. I was left wanting to know more about what lies beneath this iceberg – what is it about LA that made it the crucible of his cult-y allure and criminal exploits?

Let’s start with the outfits.


If you’re expected to wear a bikini to do yoga in a mirror lined room, you’ve just entered the perfect petri dish for growing self-disgust. The body culture of LA has long been the subject of critique – but that doesn’t mean it’s changed much. Bikram simply transferred it to a yoga studio – perfect – a room full of people ready and willing to self-flagellate. His solution to their pain was pure and simple – sweat and starve.


“Best food?” he prompts from his platform.

“No food!” they respond.


As Amy Schumer said about the Hollywood diet, “A smoothie for breakfast, and then like for lunch you journal about that smoothie. . .That’s the Hollywood secret, don’t put food in your dumb mouth.”

So, here’s a room full of light-headed women seeking salvation from fat who are primed for tolerating abuse because it offers the answer to all their problems. The CIA could not devise a better prisoner-breaking scheme.


Over the years many people have told me that they really liked practicing Bikram and when I ask why, the answer almost inevitably includes: “Because you can lose weight really fast.”

Yes, yes you can.


Lots of aspiring actors in LA. The thinner you are, the more likely you’ll get the role. And though the role you seek may not be on the silver screen, Hollywood has sold the success = thinness equation for decades, spreading it like a toxic cloud and poisoning women’s minds all over the world.

Some of the commentary about the documentary has centered on the question of why so many otherwise rational people voluntarily sign up for this clown’s circus?

But the documentary itself answers that question.


The woman with the long red hair concludes – “This…yoga…is….magical. I’ll never stop doing it, I’ll never stop promoting it.” The guy who tells us he used to weigh 300 pounds tearfully laments – “I wouldn’t be the person who I am today without him.” And we are led to conclude, yeah, such a shame, the guy was a criminal, but wow, what a great practice!


Hot, strenuous, body-punishment has been SO normalized in our culture that we don’t even question its veracity. Bikram quite simply offered the holy grail of all that we have been brainwashed to desire.

Culturally promoted self-loathing fueled by weight loss industry unattainable/unsustainable goals sets the air-conditioned stage for Bikram’s arrival, but there’s one more essential ingredient to catalyze his toxic rise to fame and power:


Orientalism.


A term coined by Palestinian American writer Edward Said to explain the tendencies of westerners, saturated in a colonialist/imperialist worldview, to project their fantasies and longings onto the east.

The guru will save us – even if he’s a raging lunatic.

For the most part, Americans could care less about anything that occurs beyond our borders. But we also like to entertain fantasies about the exotic, the transformative, the magical, and the savior. And we know that wise men come from the east.

This particular version of predatory behavior doesn’t fly on Indian soil because there are rules in Indian culture for interacting with the opposite sex. But Bikram got away with breaking all of them. (Which, BTW, is not to say that India is without its own garden variety of misogyny, take the gang rape and murder from last week for example. But here, I’m talking about the yoga space, which, for so many women, has been a reprieve from that reality.)

For me, yoga has been a saving grace, a refuge from self-loathing and body hatred, and an opportunity to learn to start to learn to love myself. It hurts my heart and my head to see it so egregiously and irreparably abused.


What is the answer?

I’ll just keep saying it – we need more women teachers in positions of power and authority (and here I’m not suggesting that women are automatically exempt from being abusive, it’s only a part of the solution) – and the men who hold those positions at the moment need to become vocal allies/supporters and just deal with the risk of losing some of their power/money/prestige or whatever.


We need to teach boundaries, trauma informed best practices, empathy, and ethics. (It’s not enough to have good intentions, you have to be intentionally ethical). We need higher standards of training, we need to teach critical thinking and building the skill of self-referral/interoception as part of our curriculum. We need to educate the public about what yoga can do, what it can be, as a holistic mind-body-spirit human potential vehicle. Not just a weight loss, or even hamstring stretching, practice.


I want to offer my students the expansive potential of self-love, self-compassion, self-acceptance, community, and help them open to the possibility of helping others find the same refuge. I want to offer simplicity and slowness. I want to offer a chance to regularly touch a place of peace and hope within. That’s all.

Is that so much to ask?

By Kaoverii


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​© 2018 Semeia Vida by Tatiana Lopes.