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Masculinidade tóxica, Vulnerabilidade masculina & Lâminas Gillette:

Como criar homens despertos


Novo comercial da Gillette, ‘O melhor que um homem pode ser’, atingiu alguns nervos.


É uma jogada em cima da sua campanha de 1989, ‘O melhor que um homem pode conseguir’.

A nova filmagem abre mostrando homens com problemas na aparência enquanto o narrador faz referências à bullying, #MeToo, e masculinidade tóxica, antes de perguntar, ‘Isto é o melhor que um homem pode conseguir?’


O significado desta gigante corporação multinacional a pular nas águas obscuras da masculinidade tóxica não pode ser minimizado.

É enorme, controverso e, mais importante, é um iniciador de conversa – os dias de assédio e abuso sexual, bullying, e comportamento inapropriado com a desculpa de que são ‘meninos sendo meninos’ já eram.


Não podemos mais nos esconder disso, não há retorno.

É hora de abraçar o melhor da masculinidade dizendo e fazendo as coisas certas.

É hora de ensinar aos nossos jovens rapazes a fazer o mesmo – porque eles são a próxima geração de homens.


A mensagem da Gillette está no ponto e é corajosa. Mas não virá sem uma briga.

Teve resposta. Um artigo recente da Forbes, ‘Por que a nova campanha da Gillette é tóxica’, listou diversos erros de marketing e passos errados que empresa deu, incluindo palestrar sobre comportamento à potenciais cliente, usando linguagem política como ‘masculinidade tóxica’, e sugerindo que a maioria dos homens se comporta mal.

A mídia social também tem abundantes respostas significativamente negativas – exibições de raiva, defensivas, e ameaças de boicote aos produtos Gillette.


Enquanto a afirmação da propaganda, ‘alguns homens já estão agindo da maneira certa, mas não o suficiente’, parece uma hipérbole, eu acredito que a maioria dos homens não age das maneiras descritas pela masculinidade tóxica.

Então por que a resposta?


Há dois pontos significativos em questão aqui.

A Masculinidade tóxica é uma óbvia. Mostrar comportamentos inaceitáveis e apontar como os homens podem ser melhores não me ofendeu nem um pouco.

Mas a questão maior é mais complexa. A campanha da Gillette está exigindo que os homens redefinam o que a masculinidade é. É um chamado para ação, para ser pensativo, reflexivo, e ter contato com nossos sentimentos – o suficiente para ter discussões produtivas sobre masculinidade saudável. Este é um tópico desconfortável para muitos de nós homens, um com que frequentemente não queremos lidar.


Eu também tive dificuldades com essa questão na maior parte da minha vida.

Assistir a esse comercial e às reações a ele me levou de volta às brigas do jardim de infância da minha infância, em que amostras de vulnerabilidade eram vistas com defensividade, raiva e ameaças de uma surra. Substitua as ameaças de boicote pelas ameaças de surra, e parece terrivelmente igual. A resistência ao criticismo e fraqueza percebidos é tão primitiva e palpável agora, como foi lá no Jardim de infância.


É uma discussão complicada de se ter. Sabemos que a mudança está acontecendo. Podemos sentí-la, e essa nova propaganda é certamente a confirmação disso. Mas para onde está indo é obscuro.

Perguntas difíceis precisam ser feitas: O que significa ser um homem? A vulnerabilidade é uma fraqueza ou uma força? Por que expressar as emoções é assustador? Vai levar um tempo para desvendá-las.


Ninguém está sugerindo que homens não devem abraçar sua masculinidade. Não há nada inerentemente tóxico em ser masculino. Mas ser homem não é um passe livre para comportamentos inapropriados, agressivos ou desrespeitosos. Não somos intitulados para isso. O movimento #MeToo disse ‘chega é chega’, e essa propaganda é o passo seguinte da evolução.


Chegou a hora dos homens serem responsabilizados e responsáveis por nosso comportamento – não como homens, mas como gente. A Gillette está aumentando o volume dessa mensagem, e isso é algo bom.


O comercial da Gillette ‘O melhor homem que posso ser’ não vai responder a essas perguntas complexas ou mudar comportamentos do dia pra noite. Mas o valor dessa campanha é que eleva a conversa sobre masculinidade e vulnerabilidade, traz para o palco.


Conversas de verdade estão acontecendo. ‘Meninos sendo meninos’ somente até onde permitimos.


Eu tenho um filho de 11 anos. Eu quero que ele seja masculino, e eu quero que ele seja forte. Eu quero que ele respeite as mulheres e homens do mesmo jeito. Eu quero que ele seja compassivo, empático e vulnerável. Quero que ele aprenda que a força dele vai vir da vulnerabilidade dele. Quero que ele saiba que ele pode ser forte o suficiente e corajoso o bastante para expressar seus sentimentos. Quero que ele se comunique bem e tenha relacionamentos melhores do que eu tive.


Esta propaganda é um passo enorme para a mudança da conversa nessa direção, e eu dou as boas vindas.

Nós não somos o melhor que os homens podem conseguir.

Nós temos muito trabalho a fazer.


Mas pelo menos agora, nós estamos tendo conversas. E estamos só começando.


“Se nós vamos achar nossa saída da vergonha e volta para nós mesmos, a vulnerabilidade é o caminho e a coragem é a luz. Estabelecer aquelas listas *do que devemos ser* é corajoso. Amarmo-nos e dar suporte uns aos outros no processo de tornarmo-nos reais é talvez o maior e único ato de ousar grandemente.” ~ Brené Brown 


Autor: David Baumrind (traduzido por Tatiana Lopes - novos tempos! Homens também tem o direito de expressar como se sentem sem serem julgados ou rotulados por isso <3 )


Beijinhos de Luz!


P.S: para quem quiser assistir a propaganda da Gillette segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=koPmuEyP3a0


'Meninos sendo meninos' / 'Boys being boys'

Toxic Masculinity, Male Vulnerability & Gillette Razors:


How We Can Raise Woke Men.


Gillette’s new commercial, “The Best a Man Can Be,” has hit some nerves.


It’s a play on their campaign from 1989, “The best a man can get.”

The new take opens by depicting troubled-looking men as the narrator references bullying, #MeToo, and toxic masculinity before asking, “Is this the best a man can get?”


The significance of this giant multinational corporation jumping into the murky waters of toxic masculinity can’t be understated.

It is massive, controversial and, most importantly, it’s a conversation starter—the days of sexual harassment and assault, bullying, and inappropriate behavior excused as “boys being boys” is over.


We can’t hide from it anymore, and there’s no going back.

It’s time to embrace the best of masculinity by saying and doing the right things.

It’s time to teach our young boys to do the same—because they are the next generation of men.


Gillette’s message is on point and courageous. But it won’t come without a fight.

There has been pushback. A recent Forbes article, “Why Gillette’s New Ad Campaign is Toxic,” has listed a myriad of marketing mistakes and missteps the razor company has taken,  including lecturing about behavior to potential customers, using politically charged language such as “toxic masculinity,” and suggesting that most men behave badly.

Social media is also rife with significant negative responses—displays of anger, defensiveness, and threats of boycotting Gillette’s products.


While the ad’s statement, “some men are already acting the right way, but not enough,” feels like hyperbole, I believe most men do not act in ways described by toxic masculinity.

So why the pushback?


There are two significant issues at work here.

Toxic masculinity is an obvious one. Calling out unacceptable behaviors and pointing out the way men can be better didn’t offend me in the least.

But the bigger issue is more complex. Gillette’s campaign is demanding that men redefine what masculinity is. It is a call to action to be thoughtful, reflective, and in touch with our feelings—enough to have productive discussions about healthy masculinity. That is an uncomfortable topic for many of us men, one which we don’t often want to deal with.


I too have struggled with this issue for most of my life.

Watching this ad and the reactions to it brought me back to the schoolyard fights of my childhood, where displays of vulnerability were met with defensiveness, anger, and threats of an ass kicking. Substitute threats of boycotting for threats of an ass kicking, and it feels awfully similar. Resistance to the perceived criticism and weakness is as primal and palpable now as it was back in the schoolyard.


It’s a complicated discussion to have. We know the shift is happening. We can feel it, and this new ad campaign is surely confirmation of that. But where it is headed is murky.

Difficult questions need to be asked: What does it mean to be a man? Is vulnerability a weakness or a strength? Why is expressing emotions scary? It’s going to take a while to unravel these.


No one is suggesting that men shouldn’t embrace our masculinity. There is nothing inherently toxic about being masculine. But being male is not a free pass for inappropriate, harmful, or disrespectful behavior. We are not entitled to that. The #MeToo movement said “enough is enough,” and this ad campaign is the next step of the evolution.


The time has come for men to be accountable and responsible for our behavior—not as men, but as people. Gillette is turning up the volume on this message, and that’s a good thing.


Gillette’s “The Best a Man Can Be” commercial won’t answer these complex questions or change behavior overnight. But the value of this campaign is that it elevates the conversation about masculinity and vulnerability to the mainstream.


Real conversations are happening. “Boys will be boys” only as long as we allow it.


I have an 11-year-old son. I want him to be masculine, and I want him to be strong. I want him to respect women and men alike. I want him to be compassionate, empathetic, and vulnerable. I want him to learn that his strength will come from his vulnerability. I want him to know that he can be strong enough and brave enough to express his feelings. I want him to communicate well and have better relationships than I’ve had.


This ad campaign is a big step toward shifting the conversation in that direction, and I welcome it.


We are not the best that men can get.

We have a lot of work to do.

But now, at least, we are now having the conversations. And we’re just getting started.


“If we are going to find our way out of shame and back to each other, vulnerability is the path and courage is the light. To set down those lists of *what we’re supposed to be* is brave. To love ourselves and support each other in the process of becoming real is perhaps the greatest single act of daring greatly.” ~ Brené Brown 


Author: David Baumrind (translated to Portuguese by Tatiana Lopes)



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