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Nas pontas dos pés… / On the tiptoes…

Às vezes parecemos viver nas pontas dos pés, tentando nos equilibrar o tempo todo… não é mesmo?

O tempo todo. Literalmente.

Não é sempre, infelizmente, mas de vez em quando recebo questionamentos do tipo - ‘Como fazer para chegar a um equilíbrio?’ ou ‘você sempre tão equilibrada, o que você fez?’, como se o equilíbrio fosse um objetivo a ser conquistado, e que uma vez conquistado, pronto. Tem-se a solução da vida!

A questão é: o equilíbrio não é algo estático, permanente, portanto, não é algo que se conquista e pronto.

Vamos começar do início?

Quando nascemos temos um corpo, certo? Teoricamente, tamanho e funcionamento de órgãos, impulsos nervosos e hormônios, tudo em equilíbrio. Mas a gente cresce, e se o estado de equilíbrio já estivesse alcançado, como faríamos para nos adaptarmos ao novo tamanho?

Nossas células, nascem, desenvolvem-se, reproduzem-se e degeneram, morrem, e nesse processo nossa pele, por exemplo, se renova, ganha capacidade renovada de elasticidade, forma, tamanho, cor, adaptando-se às novas necessidades. Quando algo não está bem em nosso organismo, o metabolismo necessita de mudanças variadas, de acordo com a situação, para se manter em equilíbrio. Vide nossas temperaturas corporais como mais um exemplo, sempre se adequando para que o funcionamento do corpo se mantenha adequado, saudável.

No caso biológico, existe um funcionamento ideal, equilibrado para cada um de nós, mas isso não significa que uma vez que o corpo o atinge, ele é mantido. Pelo contrário, são tantas as variáveis e o tempo todo, que sem percebermos (em termos metabólicos) estamos trabalhando o tempo todo para mantê-lo ou voltar para ele.

O mesmo acontece com nosso lado psicológico, emocional, ou, mental.

Algumas pessoas acham que o fato de praticar posturas de yoga ou meditação promove a chegada a um equilíbrio (normalmente significando a ausência de experiências ou sensações ruins) que será mantido, e por isso resolverá todos as dificuldades e problemas. Outras pensam até que a pessoa que medita há muito tempo não tem emoções, e por isso tornou-se alguém frio.

Nem um, nem outro.

Como seres pensantes, emocionais, psicológicos, (podemos usar diversos adjetivos) estamos em constante contato com experiências sensoriais e emocionais. E a maioria de nós oscila com elas. Um exemplo? Sabe aquela pessoa, nunca você, que acabou de ser contrariada e se ‘transformou’ por conta da raiva? Ou alguém que de tão eufórico, acaba tendo atitudes das quais depois se arrepende?

Pois é, experiências boas e ruins todos nós temos, e as emoções vem a partir delas, confirmando-as. No entanto, ao oscilarmos junto com elas, vivemos como em uma montanha russa, intensamente talvez, mas sem muita coerência na maioria das vezes, e sem equilíbrio.

Quer dizer que precisamos bloquear o que sentimos? Nossas emoções?

Jamais!


Nem um, nem outro.

Nem, vivê-las cegamente, nem, negá-las.

O que precisamos é perceber que a emoção veio, e está ali, analisá-la se necessário, mas perceber que não somos ela. Ela é simplesmente algo que vem com uma experiência, e que, assim como veio, se vai com ela.

Não adianta querer permanecer nela, porque é justamente ao tentar prolongá-las ou afastá-las que saímos do equilíbrio. E adivinha, quando saímos do equilíbrio, sofremos!

Se vivemos em experiência o tempo todo, entramos em contato com emoções o tempo todo, é necessário estar sempre atento, ou consciente se preferir, para agir de acordo.

Não precisamos nos conter quando queremos expressar carinho e abraçar alguém, por exemplo, devemos fazê-lo, pois é uma energia que precisa fluir (sim, emoções são energia), mas quanto mais intensamente quisermos permanecer nela, mais nos afastamos do nosso equilíbrio. O mesmo acontece com a raiva. Se estamos com raiva decorrente de algum acontecimento, é necessário expressá-la, pois também é energia. As formas de expressão podem ser adequadas de acordo com sua maneira de agir, conversando na hora por exemplo, respirando e silenciando primeiro para depois conversar, ou escrever; mas se resolvemos bater no outro dando vazão à raiva, ou ficar com raiva disso para sempre, nos afastamos mais ainda do equilíbrio.

A diferença, como mencionado lá no início, com relação a uma pessoa que pratica meditação há longo tempo, é que ela tem mais prática ao perceber as emoções que chegam e se vão, e como agir ou não agir diante delas.

Então sim, a vida é um eterno equilibrar-se, um eterno andar sobre as pontas dos pés

Que com prática, vai se tornando menos oscilante, portanto, menos difícil.

Beijinhos de Luz!

Tati


Sometimes it seems we are living on our tiptoes, trying to balance the whole time... isn’t it?

The whole time. Literally.

It’s not always, unfortunately, but sometimes people make questions like – ‘How to achieve balance?’ or ‘you’re always so balanced, what do you do?’, as if balance was a goal to be achieved, and that once conquered, bingo. We have our life’s solution!

The point is: balance isn’t something static, permanent, so, it isn’t something we achieve and then we’re done.

Let’s start from the beginning, shall we?

When we’re born, we have a body, right? Theoretically, size and functioning of the organs, nervous impulses and hormones, everything in balance. But we grow up, and if the state of balance was already set, what would we do to adjust to our new ‘size’?

Our cells are born, they develop, reproduce and degenerate, die, and in that process our skin, for example, is renewed, it has its own elastic capacity, form, size, color renewed, adapting to new necessities. When something isn’t good in our bodies, metabolism needs several changes, according to the situation, to keep balance. Take our body temperature as one more example, it’s always adapting so that the body keeps working in a proper way, healthy.

Biologically, there’s an ideal functioning for each of us, but that doesn’t mean that once our bodies hit it, it’s maintained. On the contrary, there are so many variables and the whole time, that without even realizing it (in terms of metabolism), we are working the entire time to keep balance or get back to it.

The same happens with the psychological, emotional, or, mental part of ourselves. Some people think that because of the fact that they’re practicing yoga postures or meditation, it brings a balance (usually meaning the absence of bad experiences or feelings) which will be kept, and so all difficulties and problems will be solved. Others might even think that the person who meditates for a long time doesn’t have emotions, and therefore became someone cold.

Not one, nor the other.

As thinking, emotional and psychological beings, (we can use lots of adjectives) we are in constant contact with sensorial and emotional experiences, the whole time. And most of us oscillate between them. An example? Do you know that person, never you, that had just been contradicted and ‘became another person’ because of rage? Or someone who was so euphoric, that ends up having attitudes he/she regrets later?

So, we all have good and bad experiences, and the emotions come from it, confirming them. However, when we oscillate with them, we live as if we were on a roller coaster, intensely maybe, but without much coherence most of the times, and no balance.

Does that mean we need to block what we feel? Our emotions?

Never!


Not one, nor the other.

Not living them blindly, nor, denying them.

What we need is to notice the emotion that came, and is there, analyze it if necessary, but also realize that we’re not it. It is simply something that comes with an experience, and that the same way it came, it goes with it. It’s of no use trying to be in it, because it’s exactly when we try to prolong them or push them away that we get out of balance. And guess what, when we get out of balance, we suffer!

If we live in experience the entire time, we get in contact with emotions all the time, it’s necessary to be aware, or conscious if you prefer, to act accordingly.

We don’t need to hold back when we want to express affection, or hug someone, for example, we should do it, because it’s energy and it needs to flow, but the more intensely we want to remain in it, the more we move away from our balance. The same happens with anger. If we are angry because of something, it’s necessary to express it, since it’s also energy. The ways of expression can be in accordance to our way of acting, having a conversation at the exact time of the fact for example, breathing and keeping silence first and then talk, or writing; but if we decide to punch the other, releasing the anger, or being angry with it forever, we move away from balance.

The difference, as mentioned in the beginning, when referring to someone who practices meditation for a long time, is that he/she has more practice in realizing the emotions that come and go, and how to act or to not act before them.

So yes, life is an eternal balance practice, an eternal walking on tiptoes

That, with practice, becomes less oscillating, therefore, less hard.

Little kisses of Light!

Tati

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​© 2018 Semeia Vida by Tatiana Lopes.