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Por que recuperar a pa(ma)ternidade..? / Why reclaim parenthood..?

Pais precisam recuperar o papel principal para essa crise entre as crianças acabar, sugere novo livro.

Nossa abordagem ‘mãos livres’ na Educação Infantil significa que as crianças estão, cada vez mais, sendo guiadas/educadas por seus pares. É de extrema importância que os pais recuperem seu papel principal, diz a médica Helen O’Callaghan.

Pela primeira vez na história, crianças estão sendo educadas umas pelas outras. Estão sendo lideradas por seus pares – voltando-se para eles em busca de valores, formação de identidade e códigos de comportamento.

As crianças estão em crise e é porque – em vez de orbitarem em volta de seru pais e outros adultos responsáveis como deveriam fazer – eles orbitam mais e mais em volta deles mesmos.

Parecer ‘legal’ importa mais que qualquer outra coisa.

É assim que o Dr. Gabor Maté e o Dr. Gordon Neufeld, autores de Hold on to your Kids: why parents need to matter more than peers (Agarre-se ao seus filhos: por que pais devem importar mais que os pares), diagnosticam a quebra no relacionamento entre muitos pais e seus filhos hoje em dia.


Para uma criança estar aberta a ser cuidada por um adulto – em vez de aprender de outra criança imatura que provavelmente não pode guiá-lx à maturidade – ela precisa estar ativamente ligada ao adulto, querendo aproximação e contato com esse adulto, diz Maté, um medico que trabalha com pacientes desafiados pela droga adição e doenças mentais, e Neufeld, um psicólogo com uma reputação por penetrar o coração da complexidade que é ser pai/mãe.

“A Cultura, até recentemente, foi sempre passada verticalmente, de geração para geração. Atualmente, em vez de ser passada verticalmente, está sendo transmitida horizontalmente dentro da geração mais jovem,” eles observam.

Até agora, filhos de qualquer espécie de mamíferos olham para o adulto para os guiar – eles submetem-se aos seus pais, diz Maté, falando à Feelgood.

“Veja a mãe urso com seus filhotes. Eles a seguem onde quer que ela vá. A conexão é de liderança, não de exploração – acontece pelo simples fato de que o/a pai/mãe é mais informadx, poderosx e sábix e está encarregadx da responsabilidade de cuidar dos filhotes.”

Mas, diz Maté, essa hierarquia não é algo para se ter como garantida – ela está presente se há uma ligação na relação entre adulto e criança.


Então o que aconteceu para corroer essa ligação saudável?

Nós não temos mais base econômica e social para uma cultura que dê suporte à paternidade/maternidade e lhes assegure essa sagrada missão, argumentam os autores.

“Até recentemente, nós evoluímos e vivemos em vilas e agrupamentos de caçadores e coletores. As crianças tinham muitos adultos ao seu redor, incluindo sua família biológica. Agora nós isolamos o pai e a mãe,” diz Maté, apontando uma perda de contato comunal.

“Desde muito cedo, por razões econômicas e sociais, as crianças não veem seus pais a maior parte do dia. E os pais são encorajados à práticas educacionais que os separam de seus filhos – pausas, banindo-os de sua presença se o seu comportamento não agradar. Mãe jovens são aconselhadas a não pegar suas crianças se elas estão chorando à noite. ”

E infelizmente, diz Maté, aqueles que trabalham nas instituições para as quais enviamos nossos filhos – crèche, pré-escola, escolar – com frequência, não são treinados nessa ‘ligação’ e em como precisam ser substitutos dos pais. Nem estão equipados – por exemplo, na relação professor/criança – para nutrir.

Também contribuindo para essa orientação dos pares em vez da ligação adulto- criança estão os aparelhos digitais que demos à eles.

“Eles reaproveitaram esses aparelhos para conectar-se uns com os outros, ambos em nível individual e em escala de massa. O resultado é uma corrosão desastrosa e maior do solo para o desenvolvimento humano saudável.”

'Agarre-se aos seus filhos' faz a pergunta pertinente: Onde estão os mentores adultos para ajudar a guiar nossas crianças e adolescentes?

“A reconfortante e consistente presença dos avós, tias e tios, o laço protetor da família de várias gerações, é algo que cada vez menos crianças, hoje em dia, podem aproveitar.”

Ainda, diz Maté, nós temos um movimento biológico para conexão e quanto mais as crianças se separam emocional e fisicamente de seus pais, mais ele precisam achar outro local em que se ligar. “Então eles o encontram no seu grupo, entre pares. Se tornam cada vez mais ligados uns aos outros e de forma prematura.”

E essa ligação entre os pares do grupo pode ter um impacto negativo sobre as crianças, dizem os autores, que acreditam que isso interfere no desenvolvimento e alimenta uma cultura jovem hostil e sexualizada.

“O que falta absolutamente nos relacionamentos entre os pares é o amor incondicional e a aceitação, o desejo de nutrição, a habilidade de oferecer pelo bem do outro, a boa vontade de fazer um sacrifício pelo crescimento e desenvolvimento do outro. ”

Encorajar crianças a tornarem-se “independentes” em idade precoce é outro movimento que tornou-se normal, diz Maté. “Há um período natural na adolescência quando a jovem pessoa é pega no movimento que direciona a independência e ao tornar-se sua própria pessoa,” ele reconhece.

Mas esse desenvolvimento natural nnao deve significar rejeitar ou tornar-se hostil com o/a pai/mãe ou fazer os pares mais importantes que os pais.

Tradicionalmente, relacionamentos entre pares ainda tem papel secundário para [aqueles que tem] adultos até que a criança se torne um adulto.

“Hoje, isso é considerado rebeldia adolescente saudável, mas está acontecendo mais cedo e não é porque a criança está pronta para assumir responsabilidades da vida adulta. É porque são imaturos e desconectados dos adultos – então seus pares estão assumindo esses papéis, mas de um jeito imaturo, prejudicial.”


A conclusão, diz Maté, é: você não pode ter independência sem maturidade.

“O Amadurecimento acontece no contexto de relacionamentos de forte ligação com adultos que nutrem, que promovem independência acolhendo a dependência. Crianças podem desenvolver independência quando tem um forte senso próprio.”

Para recuperar nossas crianças perdidas nós precisamos nos religar. “Quanto mais velha a criança é, mais difícil mas não é impossível,” diz Maté.

Mesmo se deparando com hostilidade e rejeição da criança, o/a pai/mãe deve renunciar a qualquer tentação para vê-la como um problema de comportamento de criança ou de pegar levar o negativo para o pessoal.

“Pais devem abrir mão do ponto de vista de que há algo errado com a criança e ver que é o relacionamento que está com problema e o comportamento dela é só o funcionamento disso. Precisamos parar de tentar controlar o comportamento da criança.”

Em vez disso, pais devem ter confiança para saber que a criança realmente precisa de aceitação incondicional de um adulto que ‘alimenta’, diz Maté. Ele cita as palavras de Neufeld: ‘Pais precisam saber que são a melhor aposta dos filhos em qualquer idade.’

Maté mesmo foi traumatizado como uma criança judia sob o domínio nazista em Budapeste. Porque ele não tinha resolvido esse trauma, teve impacto nos seus filhos.

“O relacionamento que tive com eles não era tão forte, caloroso ou nutritivo como precisava ser. Uma vez que percebi o impacto, eu tive que reconquistar a confiança deles, o que significou olhar para mim constantemente – eu era realmente presente, afetuoso, compassivo ou estava só tentando controlar o comportamento deles? Quando tive algumas boas respostas eu tive muita paternagem para remediar,” ele diz, adicionando que o relacionamento dele com os filhos agora adultos é muito bom.


Para as crianças, ligação é uma necessidade absoluta. E eles precisam estar ligados a nós emocionalmente até que sejam capazes de permanecer em seus 2 pés, capazes de pensar por si mesmos e determinar sua própria direção.

John Bowlby, cuja pesquisa foi a base para tanto do que sabemos sobre ligação e sua importância fundamental, estava simplesmente nos relembrando o que qualquer avó aborígene poderia ter nos dito há 1000 anos. Depois de 50 anos desde Bowlby, parece que precisamos ser lembrados novamente.


(Traduzido por mim, Tati.)

Li este texto há um tempo mas não sei o que houve que perdi as referências de quem o escreveu. Compartilho-o mesmo assim, porque acredito ser um tema bem importante de ser discutido e posto em prática, principalmente.

Beijinhos de Luz!



Parents must reclaim the central role if growing crisis among children is to end, suggests new book

Our hands-off approach to childrearing means kids are increasingly being led by their peers. It’s crucial parents reclaim their central role, a leading physician tells Helen O’Callaghan.

FOR the first time in history, children are being brought up by each other. They are taking their lead from their peers — turning to them for their values, identity-shaping and codes of behaviour.

Children are in crisis and it’s because — instead of orbiting around their parents and other responsible adults as they are meant to do — they are more and more orbiting around each other.

Being ‘cool’ matters more than anything else.

This is how Dr Gabor Maté and Dr Gordon Neufeld, authors of Hold on to Your Kids: Why Parents Need to Matter More Than Peers, diagnose the breakdown in the relationship between many parents and their children today.


For a child to be open to being parented by an adult — rather than taking his/her cue from an immature peer who can’t possibly guide them to maturity — they must be actively attached to the adult, wanting closeness and contact with that adult, says Maté, a physician who works with patients challenged by drug addiction and mental illness, and Neufeld, a psychologist with a reputation for penetrating to the heart of complex parenting.

“Culture, until recently, was always handed down vertically from generation to generation. [Now] instead of being passed down vertically, it’s being transmitted horizontally within the younger generation,” they observe.

Yet, children of any mammalian species look to the adult to guide them — they defer to their parents, says Maté, speaking to Feelgood.

“Watch the mother bear with her cubs. They follow her wherever she goes. The connection is one of leadership, not exploitation — it follows from the fact that the parent is more informed, powerful and wiser and is charged with the responsibility of caring for the children.”

But, says Maté, this hierarchy is not something to be taken for granted — it’s present if there’s an attached adult-child relationship.


So what has happened to erode this healthy attachment? 

We no longer have the economic and social basis for a culture that would support parenthood and hold its mission sacred, the authors argue.

“Until recently, we evolved and lived in villages and hunter-gatherer groupings. Children had many adults around them, including their biological family. Now we isolate the father and mother,” says Maté, pointing to a loss of communal contact.

“From an early age, for economic and social reasons, children don’t see their parents most of the day. And parents are encouraged to practice ways of rearing that separate them from their children — time outs, banishing them from their presence if behaviour doesn’t please. Young mums are advised not to pick up their children if they’re crying at night.”

And unfortunately, says Maté, those who work in the institutions to which we send our children — crèche, pre-school, school — are often not trained in attachment and how they need to be parental substitutes. Nor are they equipped — for example in terms of teacher/child ratio — to nurture.

Also contributing to peer-orientation rather than child-parent attachment are the digital devices we’ve given our children.

“They have repurposed these devices to connect with one another, both at the individual level and on a mass scale. The result is a further disastrous erosion of the ground for healthy human development.”

Hold on to Your Kids

asks the pertinent question: where are the adult mentors to help guide our children and adolescents?

“The reassuring, consistent presence of grandparents, aunts and uncles, the protective embrace of the multigenerational family, is something [increasingly fewer] children nowadays are able to enjoy.”

Yet, says Maté, we have a biological drive for connection and the more children separate emotionally and physically from parents, the more they have to find another locus of attachment. “So they find it in their peer group. They become increasingly and prematurely attached to each other.”

And this peer group attachment can have a negative impact on children, say the authors, who believe it interferes with healthy development and fosters a hostile and sexualised youth culture.

“[What’s] absolutely missing in peer relationships is unconditional love and acceptance, the desire to nurture, the ability to extend oneself for the sake of the other, the willingness to sacrifice for the growth and development of the other.”

Encouraging children to become “independent” from a young age is another drive that has become normalised, says Maté. “There’s a natural time in adolescence when a young person’s taken up with a movement towards independence and becoming their own person,” he acknowledges.

But this natural development shouldn’t mean rejecting or becoming hostile towards the parent or making peers more important than parents.

“Traditionally, peer relationships still took a secondary place to [those with] adults until the child himself became an adult.

“Today, it’s considered ‘healthy teenage rebellion’ but it’s happening earlier and it’s not because the child is ready to take on the responsibilities of adulthood. It’s because they’re immature and disconnected from adults – so their peers are taking over that role, but in an immature, damaging way.”


The bottom line, says Maté, is you can’t have independence without maturity.

“Maturation happens in the context of strong attached relationships with nurturing adults, who promote independence by inviting dependence. Children can develop independence when they have a strong sense of self.”

To regain our lost child we have to re-attach. “The older the child is, the more difficult but it’s not impossible,” says Maté.

Even faced with a child’s hostility and rejection, the parent must surrender any temptation to see this as a child behaviour issue or to take the negativity personally.

“Parents must surrender their point of view that there’s something wrong with the child and see that it’s the relationship that’s in trouble and the child’s behaviour is just a function of that. We must stop trying to control the child’s behaviour.”

Instead, the parent must have the confidence to know the child really needs unconditional acceptance by a nurturing adult, says Maté. He points to Neufeld’s words: ‘Parents have to know that they are a child’s best bet at any age’.

Maté himself was traumatised as a Jewish infant under the Nazis in Budapest. Because he hadn’t resolved that trauma, it impacted on his children.

“The relationship I had with them wasn’t as strong, warm or nurturing as it needed to be. Once I saw the impact, I had to regain their trust, which meant constantly looking at myself — was I really present, warm, nurturing, compassionate or was I just trying to control their behaviour? By the time I got some good answers I had a lot of parenting to remedy,” he says, adding that his relationship with his now adult children is very good.


For children, attachment is an absolute need. And they must be attached to us emotionally until they’re capable of standing on their own two feet, able to think for themselves and to determine their own direction.

John Bowlby, whose research was the basis for so much of what we know about attachment and its primal importance, was simply reminding us of what any Aboriginal grandmother could have told us 1,000 years ago. Over 50 years on from Bowlby, it seems we need reminding again.


(don’t remember who the author is.)

I've read this text a while ago and I don’t know what happened that I've lost the references of who wrote it. I share it anyway, because I believe it’s a very important issue to be discussed and put into practice, especially.

Kisses of light!



'A história nos diz que, quando as pessoas buscam apenas os próprios interesses, existe rixa e guerra. Essa visão é limitada e estreita. irreal e ultrapassada.' 'History shows us that, when people look only for their own interests, there is scuffle and war. This point of view is limited and narrow, unreal and overpast.' (Dalai Lama)

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