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Protegendo seus limites pessoais/ Protecting your Personal Boundaries

“Qual é a diferença entre sair sabiamente da zona de conforto para mais abertura de vida e consciência versus uma falta de limites saudáveis e amorosos?”


Devido ao estado atual do mundo, esta é uma pergunta bem pertinente.


Sim, pode ser difícil ver o limite. Com frequência é mais difícil manter limites pessoais saudáveis, pacíficos e fortes do que é ser vulnerável o suficiente para conectar-se com os outros.

Há uma antiga história de um Yogi que nos ajudará a mergulhar mais fundo neste assunto.


Era uma vez, em um tempo yôguico, o sábio peregrino Narayana estava sentado em meditação nos limites de um pequeno vilarejo. Ao abrir seus olhos, retornar para a consciência de todo dia, ele se viu cara-a-cara com uma cobra enorme.


“Oh, Narayana, por favor, me instrua na prática de yoga”, disse a cobra.

Satisfeito com o pedido, o guru começou a explicar o princípio de ahimsa.

“Ahimsa é a atitude não violenta do yogi”, ensinou ele. “É um jeito de relacionar com a vida com abertura, curiosidade e consciência amorosa. Adotando a atitude de ahimsa, você será capaz de receber tudo que surgir e comprometer-se com a sua vida sem criar dor ou sofrimento”. Especialmente para uma cobra, cujo corpo foi desenhado para atacar com violência e veneno, ahimsa é um fundamento da vida espiritual.


Agradecendo à Narayana, a cobra desapareceu na densa vegetação rasteira. Sem nunca descansar mais que três dias em qualquer local, o sábio continuou sua peregrinação. Depois de um ano, Narayana, novamente, se viu próximo do mesmo vilarejo.


“Eu imagino como meu discípulo-cobra está indo e como sua prática espiritual está se desenvolvendo,” pensou consigo mesmo.


O sábio escutou um gemido vindo de trás de uma árvore próxima.

Narayana viu seu discípulo encolhido na terra. O corpo da cobra estava machucado e agredido, seus dentes afiados estavam despedaçados, e seu olho esquerdo estava fechado de tão inchado.


“O que aconteceu com você?” o sábio perguntou.

“Oh, guru-ji,” a cobra ciciou através dos dentes quebrados, “Você teria ficado tão orgulhoso de mim. Eu levei a prática de ahimsa com muita dedicação. Quando os jovens do vilarejo me jogaram pedras, eu sorri. Eles ficaram surpresos com meu novo e gentil comportamento e chegaram mais perto segurando tacos.

Mas, eu continuei a sorrir e recebê-los. Eles me atacaram e me bateram; me chutaram e me amarraram em nós; quebraram meus dentes e machucaram meu olho. Mas, eu não os mordi nem ataquei de volta”.


“Oh, meu discípulo,” Narayana balançou a cabeça. “Eu te disse para não morder. Eu não disse que não deveria sibilar”.


Você tem que sibilar. Você precisa se proteger de forças que são nocivas. A diferença entre uma postura sábia e uma defensiva-iludida está em como você se protege e na atitude com que você protege.

Porque, você precisa se posicionar – você não tem escolha. No plano da Terra, limites e distinções são parte do jogo. Para entender a diferença entre uma postura amorosa e protegida:


>> Na posição protegida, você estabelece limites para se proteger e àqueles que ama na vida.

>> Na posição sábia e amorosa, você estabelece limites para proteger-se e àqueles que ama pela vida.


Você tem uma escolha: proteger da vida ou proteger pela vida.

A postura protegida vai te por contra a vida. O que quer que surja do outro lado do limite é desconhecido, uma ameaça a sua própria existência, passível de destruição.

A postura sábia e amorosa te coloca no meio da vida. Ela não te separa da vida. Ela preserva e até aprofunda seu senso de interdependência. Quando você é protegido por limites sábios e amorosos, você mantém sua conexão com aqueles que estão ‘do outro lado’. A presença e perspectiva deles não vão mais gerar medo, mas curiosidade e cuidado.

Mas, isto não significa que você sorri quando pedras começam a voar. Se outros se aproximarem com tacos – você ainda precisa sibilar.


Ser pela vida inclui ser pelo seu corpo, mente, emoções e circunstâncias. Você pode desenhar limites claros que honrem a sua integridade. E, se for necessário, mostre suas presas. E ainda você pode fazê-lo sem raiva e sem ver o outro como inimigo.


Limites sábios permitem que você veja o sofrimento atrás da sua violência. Você será capaz de ver como o medo e fragmentação interna são tão frequentemente expressados em violência mental, verbal e física. Você será capaz de ver como a inabilidade deles de perceber e entender o próprio sofrimento acaba abastecendo uma postura defensiva, direcionada ao mundo todo, baseada no medo.

Você será capaz de ver o quão fácil seria mudar do sibilar para o morder. Mas você não fará como eles. Você vai se recusar a enfrentar as ações defensivas deles, abastecidas de sofrimento, com as suas.

Ver isto com clareza e sem culpa pode permitir que você se fortaleça – com amor – os limites que preservarão seus valores e honrarão a profunda interdependência da vida.


Sua capacidade de estabelecer limites sábios – no meio de um conflito, tensões (e mesmo feriados familiars) – se baseia em duas coisas:


1. Estabelecer uma base estável de consciência meditativa.

2. Tornar-se um estudante devoto de como surge a defesa no seu corpo.


Você pode estabelecer a consciência meditativa como modo padrão da sua percepção, através da prática espiritual diária.

Assim, você pode aprender como residir na consciência meditativa; como testemunhar pensamentos, emoções, e sensações que se levantam e caem. Esta capacidade torna possível que você estude os padrões que surgem quando você muda da sabedoria para a defesa.

Conforme você se torna mais consciente dos seus padrões de defesa, você pode descobrir algo maravilhoso. Os padrões de defesa e reatividade são incrivelmente redundantes.

As situações que disparam a defesa vão mudar – mas os padrões não. Isto é particularmente verdadeiro no nível das sensações do corpo. E isto é ótima novidade.

A assinatura somática da sua reatividade se repete sem nenhuma variação.

É uma resposta automática que flui através de um caminho nervoso bem entalhado e surge como uma assinatura padrão das sensações.


Sempre que este padrão surge, a reatividade está tentando se tornar o modo padrão de operação.

Não permita. Respire. Esteja atento. Retorne à presença meditativa. Tendo estabelecido seu lugar meditativo, desenhe os limites que te permitam server, criar, e enriquecer a vida.

E quando digo vida, quero dizer a sua vida, e as vidas de todos os outros seres que encontrar em seu caminho.


Try to come up with effective ways of communication, say what you want, but in a clear and nice way. // 'Por favor, pare aí! Se você cruzar a linha, as coisas vão ficar esquisitas...' Tente criar formas eficientes de comunicação, diga o que quer, mas de forma clara e gentil.


“What is the difference between wisely stepping out of one’s comfort zone into more openness to life and consciousness vs. a lack of healthy and loving personal boundaries.”


Given the current state of the world, this is a timely question.


Yes, it can be hard to see that edge. Often it’s more difficult to maintain healthy, peaceful, and strong personal boundaries than it is to be vulnerable enough to connect with others.

There’s an old yogi story that will help us dive deeper into this topic.

Once upon a yogi time, the wandering sage Narayana was seated in meditation at the edge of a small village. Upon opening his eyes, returning to everyday awareness, he found himself face-to-face with a large cobra.


“Oh, Narayana, please instruct me in the practice of yoga,” said the snake.

Delighted by the request, the guru began explaining the principle of ahimsa.

“Ahimsa is the nonviolent attitude of the yogi,” he taught. “It is a way of relating to life with openness, curiosity, and loving awareness. By adopting the attitude of ahimsa, you will be able to welcome all that arises and engage with your life without creating pain or suffering.” Especially for a cobra, whose very body was designed to strike out with violence and venom, ahimsa is a foundation of the spiritual life.


Thanking Narayana, the snake disappeared into the dense undergrowth.

Never resting more than three days in any single location, the sage continued his pilgrimage. After a year, Narayana, again, found himself approaching the same village.

“I wonder how my cobra-disciple is faring and how his spiritual practice is developing,” he thought to himself.

The sage heard a groan rising from behind a nearby tree.

Narayana discovered his disciple cowering in the dirt. The cobra’s body was bruised and battered, his sharp teeth were shattered, and his left eye was swollen shut.


“What has happened to you?” the sage exclaimed.

“Oh, guru-ji,” the cobra lisped through broken teeth, “You would have been so proud of me. I took up the practice of ahimsa with great dedication. When the young boys of the village threw stones at me, I smiled. They were surprised by my new gentle demeanor and came closer carrying sticks.

But, I continued to smile and welcome them. They struck me and beat me; they kicked me and tied me in knots; they broke my teeth and bruised my eye. But, I didn’t bite or strike back.”


“Oh, my disciple,” Narayana shook his head. “I told you not to bite. I didn’t say you shouldn’t hiss.”


You have to hiss. You must protect yourself from forces that are harmful. What makes the difference between a wise stance and a deluded-defensive one is in how you protect yourself and the attitude with which you protect.

Because, you have to take a stance—you have no choice. On the Earth plane, boundaries and distinctions are part of the game. To understand the difference between a loving and defended stance:

>> In the defended stance, you set boundaries to protect yourself and those you love from life.

>> In the wise and loving stance, you set up boundaries to protect yourself and those you love for life.


You have a choice: protecting from life or protecting for life.

The defended stance will pit you against life. Whatever arises on the other side of the boundary is unknown, a threat to your very existence, worthy of destruction.

The wise and loving stance places you in the midst of life. It does not separate you from life. It preserves and even deepens your sense of interdependence. When you are protected by wise and loving boundaries, you maintain your connection with those who are “on the other side.” Their presence and perspectives will no longer generate fear, but instead provoke curiosity and care.

But, this doesn’t mean that you smile if the stones start flying. If others approach with sticks—you still must hiss.


Being for life includes being for your body, mind, emotions, and circumstances. You can draw clear boundaries that honor your integrity. And if it is required, flash your claws. And yet you can do so without anger and without viewing the other as the enemy.


Wise boundaries allow you to see the suffering behind their violence.

You will be able to see how fear and inner fragmentation are so very often expressed in mental, verbal, and physical violence. You will be able to see how their inability to meet and understand their own suffering ends up fueling a fear-based, defensive stance toward the whole world.

You will be able to see how easy it would be to shift from hissing to biting. But you won’t follow their lead. You will refuse to meet their defensive, suffering-fueled actions with your own.

Seeing this with clarity and without blame can allow you to strengthen—with love—the boundaries that will preserve your values and honor the deep interdependence of life.


Your capacity to establish wise boundaries—in the midst of conflict, tensions (and even family holidays)—is supported by two things:


1. Establishing a stable foundation of meditative awareness.

2. Becoming a devoted student of how defensiveness arises in your body.


You can establish meditative awareness as the default mode of your perception, through daily spiritual practice.

In this, you can learn how to reside in loving awareness; how to witness thoughts, emotions, and sensations that rise and fall. This capacity makes it possible for you to study the signature patterns that arise when you shift from wisdom to defensiveness.


As you become more aware of your patterns of defensiveness, you can discover something marvelous. The patterns of defensiveness and reactivity are amazingly redundant. The situations that trigger the defensiveness will change—but the patterns don’t. This is particularly true at the bodily level of sensations. And this is great news.

The somatic signature of your reactivity repeats itself with virtually no variation.

It’s an automated response that flows through a well-grooved neural pathway and arises as a signature pattern of sensations.


Whenever this pattern arises, reactivity is trying to become your default mode of operating.

Don’t let it. Breathe. Be mindful. Return to meditative presence. Having reestablished your meditative seat, draw the boundaries that allow you to serve, create, and enrich life.

And by life, I mean your life, and the lives of all the other beings you encounter on your path.

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​© 2018 Semeia Vida by Tatiana Lopes.