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Reflexões… apenas reflexões…


Tava pensando aqui sobre essa coisa das rotulações… Meu, isso é um assunto que me intriga, no mínimo bastante! ;-)


É difícil entender uma sociedade que sonha e parece querer ser livre, mas na primeira oportunidade rotula tudo…


Rótulos costumam ser como prisões, porque restringem a ideia do todo, limitam e padronizam qualidades que por vezes não deveriam nem ser comparadas…


Sou professora de Yoga, e há poucos dias, logo após uma aula, me fizeram uma das perguntas mais comuns do meio ‘do yoga’: ‘Você é vegana?’. Quando respondi que não, logo em seguida surgiu outra: ‘Mas é vegetariana né?’ E quando respondi negativamente, vi uma cara de interrogação misturada com decepção… E justamente para não presumir ou julgar a expressão pelo meu prisma, perguntei: ‘Por que pergunta?’ E a resposta que se seguiu foi: ‘porque achei que todos os bons professores de yoga fossem, pelo menos, vegetarianos.’


Minha primeira atitude foi não reagir, de forma alguma, àquela afirmação, que para mim era equivocada, por isso perguntei: Como você se sentiu após o término da aula? E a resposta foi: ‘Me senti ótimx, mais leve e bem dispostx, e principalmente, bem mais tranquilx…’.

Esbocei um leve sorriso e fiz outra pergunta: Como você se sentiu durante a aula? E ouvi a seguinte resposta: Me senti acolhidx, respeitadx, principalmente quando me deparei com minhas dificuldades físicas. Meu coração ficou satisfeito. Fiz então a penúltima pergunta: E o que você achou da minha aula? Saiu um confiante: Gostei da sua aula e de como me senti, você passa segurança, acolhe e se põe como igual.

E finalmente, perguntei: e você acha que o fato de eu não ser vegetariana ou vegana altera alguma coisa?...Veio um silêncio, e um pouco depois, a resposta foi a de quem pareceu ter entendido o que quis mostrar: ‘Não! Acho que não!’



Aproveitei e contei um pouquinho da minha história como vegetariana, que fui por muitos anos, até começar a ter problemas de saúde. Apesar de sempre ter tido uma boa e diversificada alimentação (pela qual sou muito grata), minha rotina de mobilidade e atividade física sempre foram bastante intensas de modo que o corpo começou a sofrer. (Talvez aqui você pense, tem vários super atletas que são vegetarianos/veganos atualmente, e eu concordo, porém já fui atleta, não sou mais, e minha alimentação se dá basicamente através de alimentos, não faço uso de nenhum tipo de suplementação…, e o mais importante fato: cada pessoa funciona e é de um jeito, único). Tenho enorme apreço pela vida dos animais e de todos os seres, mas resolvi simplesmente ouvir o meu corpo. E hoje, como, geralmente, um pedaço de frango ou peixe, quando sinto necessidade; o que te digo antes que pergunte: Não é tão frequente assim…


Isso me faz uma pessoa má? Ou menos ‘evoluída’? O critério de ser ou não um ser humano bondoso e correto agora depende daquilo que ele come? Acredito que devemos considerar um leque de outros comportamentos se fosse realmente importante considerar classificar alguém como ‘bom ou menos bom’.

Eu compreendo toda a questão energética envolvida no assunto, e prezo por ela, mas já conheci algumas pessoas que são vegetarianas/veganas e não são pessoas tão corretas no dia a dia, pelo contrário, (nem pretendia citar este exemplo, mas Hitler foi um), assim como conheço diversas pessoas que consomem carne moderadamente e são pessoas corretas, de ótimo coração, sempre dispostas a colaborar com o coletivo.


Yoga, ou melhor, a vida, se trata de uma grande escola de autoconhecimento, de aceitação daquilo que é, então por que e para quê estabelecer padrões se somos manifestações diferentes? Por que não aceitar que cada um tem o momento certo para entender, compreender e por em prática o que quer que seja? Cada um também tem condições, mesmo fisícas, que possibilitam ou não o ‘por em prática’.

Tudo bem que ao se falar de ética e valores coletivos, dá vontade de chacoalhar muita gente, mas o que te faz presumir que a sua ‘verdade’ ou o ‘seu jeito’ é o melhor, ou ainda, o correto?

E o que te faz achar que o seu jeito de vestir-se é melhor? Ou que o que você come é melhor, te torna mais elevado? Etc, etc…Podia elaborar várias perguntas na mesma linha, mas acredito não ser necessário e espero que tenha entendido o raciocínio.

Todos temos qualidades e defeitos mas por que nossa sociedade insiste em, ao julgar, exaltar aquilo que é ruim? Ou melhor aquilo que acha que é ruim, ou ‘errado’, ou o defeito…etc… E quando é para elogiar, silencia? Por que em vez de julgar e criticar não se procura analisar o que de fato incomoda? Se algo no outro me incomoda, procuro ver o que eu tenho daquilo, porque o outro geralmente nos serve de espelho, e portanto nos ajuda a ver o que temos de ‘bom’ ou ‘ruim’ através das nossas emoções. A partir dessa pausa para auto-análise, nem sempre muito rápida ou indolor, pode-se perceber que a ‘imperfeição’ que você julga no outro também está em você. E isso te dá oportunidade de mudar a si mesmo, e não o outro. Aliás, aprende-se que o outro, a gente não muda nunca, a única coisa que podemos mudar somos nós mesmos, e com a mudança é o nosso olhar que muda, o julgamento se desfaz, e o mundo realmente MUDA.


Cada qual no seu espaço, cada coisa no seu tempo, a gente precisa é de clareza e amor, para aprender e acolher aquilo que ainda não conhecemos, ou não entendemos e que nos assusta. O seu mundo é só seu, pelo simples fato de que ninguém vê o mundo com os mesmos olhos com que você vê!

Desenvolver a capacidade de escuta é fundamental, a de observação não fica atrás. E para que ambas sejam feitas de forma adequada o SILÊNCIO é necessário… Um pouquinho de meditação todo dia nunca fez mal à ninguém!


Se você não tem algo de bom a dizer, ou algo que acrescente, silencie e aguarde até que tenha. (parafraseando Amma) - lembrando que Bom nem sempre é algo que agrade no momento...

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​© 2018 Semeia Vida by Tatiana Lopes.